Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sem título

As mãos que estrangulam
o rebelde coração
são as mesmas que abafam
o grito crítico
da dor fanerítica.
Dor que me acompanha
de mãos dadas
e mente atada.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sem título

Por você eu faço tudo.

Por você eu me aplico.

Por você eu me complico.

E você sabe bem disso.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Equívoco no Porto da Barra

Castigante como esse sol
acima de mim
Me rasga como velcro
Se solta
e me corta,
me arranha
como arame no cetim
Me olha d'um oasis
Vê um humilde perdedor
Vê aquele que se transporta
de amor a amor.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Haikais para uma lembrança

Numa noite,
como um eletrochoque,
uma lembrança me reavivou.

Deu pra sentir o calor
daquele dia
no caminho, na mata.

Deu pra sentir o coração,
vermelho e pulsante
no meu peito atrofiado.

O verde, a luz,
a dupla,
tonalidade de pele.

Eu estava lá
novamente
naquele caminho, na mata.

Deu pra sentir a sua presença
no caminho...
Deu pra sentir a sua falta.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem título

Meu animal
protesta o tempo inteiro.
Meu sábio me aconselha
aceitar a minha maneira.
Esse é vitorioso.

Lâmpada acesa

Chamariz de mariposa.
Mesmo tão distante
atraiu-me
num crisálido instante.
Desde então sou casulo
à espera
de ser reativado
por um toque delicado
de asas de borboleta.

(Algum lugar em algum lugar)

Mais do mesmo (Crisálida)

Ela voa por aí
ou o vento que a leva
para longe,
numa lufada
que arrasta essa menina,
tão leve menina
das asas de fada.

Sopro qualquer é fita
que tira de perto de mim
essa criatura mais leve que o ar,
que eu peno em tocar
mas não alcanço
pois não sei voar
na mesma altura.