Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Nem sempre, meu amigo

Nunca se esqueça que, bem possivelmente, a vida real, muitas vezes, é deveras cruel. E que nunca na vida os caminhos - a sorte - serão como nos filmes, seriados e novelas. Nem sempre saímos correndo, munidos de pouca sensatez e muita paixão, desgovernados, lidando com o trânsito louco da cidade, pagando (nem sempre a gente tem dinheiro pra isso) ao taxista e/ou ao motoboy mais loucos da cidade -"fica com o troco!" -, cruzamos caminhos impossíveis e alucinantes - improváveis! -, chegamos no aeroporto antes do avião da amada decolar, fazemos um discurso e uma declaração magníficos, numa maravilhosa demonstração de oratória, e conseguimos reconquistá-la. Mas, lhe digo, meu amigo, que, às vezes, conseguimos sim, realizar todas essas façanhas. Mas, daí a ela querer voltar... E, como a esperança é a última que morre, ela pode até voltar. Só não lhe prometo os aplausos de todas aquelas pessoas que estão te assistindo no aeroporto, as mesmas que - gentis que são e que não perderiam, jamais, uma linda história de amor e reconquista - lhe deram passagem em sua manobra impossível e alucinada e que contribuíram, de todas as formas, com o seu esforço.

Ou seja, nem sempre o trânsito é bom; nem sempre o taxista pode fazer milagres; nem sempre lhe darão passagem na multidão do aeroporto; nem sempre ela vai voltar; e, se voltar, nem sempre irão aplaudir.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sem título

Na forma de uma primeira manifestação - neste ano -, reconheço que posso estar em um momento diferente. Antes, acreditava fazer parte de uma "escola", porém, percebi que o que existe são momentos. Momentos na vida, numa trilha que se segue, na qual estamos inseridos. Meu "momento atual" não é o mesmo de ontem. Sendo assim, aguardo o nascimento de novos poemas, sob novas perspectivas, sobre novos sentimentos. Aguardo novas orientações. Uma nova "escola", talvez. Uma nova poesia, não igual a de ontem, nem igual a de amanhã, mas uma poesia do momento.


-Achei importante me manifestar pela primeira vez neste ano.