Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

sábado, 3 de julho de 2010

Nota de falecimento

Ultimamente ando gritando
E ninguém me ouve
Porque não estou aqui
Eu estou lá
E se desse para ouvir
Seria numa nota de socorro

Eu grito numa nota só
Minha nota de socorro
Minha nota de falecimento
Dos sentidos, do corpo, mas nunca da alma

Ultimamente venho perdendo a cor?
Não!
Ultimamente MEUS OLHOS não vêem cor
Já não lembro do doce ou do salgado
O que ficou foi o azedo e o amargo
Aos quais fui predestinado

Queria poder ver a lua mais uma vez
Na minha tela onde só há escuridão
Queria poder entoar outras notas

Tudo agora se resume a uma torneira pingando
Eu estou como ela
Entoando uma nota só

(Algum lugar entre 2007 e 2008)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nota

A vida é como uma árvore frutífera.
Os frutos são palavras
Que eu posso colher
E preparar uma poesia

A vida vem em onda. Tudo é onda.

No universo tudo é justo
E tudo se encaixa
Tudo se encontra
E se separa

Nada é casual.

É tudo uma grande conspiração.

Nota

Ser ou estar poeta

Nem sempre sou poeta.
Também é bom fantasiar
Viver a vida
sem questionar
Não indagar

O olhar crítico sobre o universo
Sentí-lo a todo instante
É do brio do poeta
Para mim
Momentos são o bastante

Nem sempre sou poeta.
Às vezes é bom
Viver como a maioria
Na fantasia
Da vida no escuro

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sem título

Num dia desses
Acabei percebendo
Que necessito de mais tempo
Comigo mesmo
Todos nós, na verdade!
Para que sejamos capazes
De rever a velha criança
- O mundo transforma!,
ele tem essa capacidade
E eu digo: As pessoas se transformam
E culpam o mundo
Que apenas tendencia
E sejamos fortes!
Sejamos sólidos!
E que, com toda a primazia,
conservemos nossas têmperas
Fervamos nossos tépidos corações!,
camaradas, semelhantes...
Rasguemos essa roupa!
Fiquemos desnudos
E sintamos sobre a pele
O mundo
Para lembrar
De quem há muito
Fomos
E esquecemos
É preciso exercitar!
Resgatar
Aquilo que nascemos
E, quem sabe,
nascer outra vez.

domingo, 13 de junho de 2010

Questionamentos

O que é verdade?

Esse brilho que vem de longe
Ou esses olhos que o enxergam?
Ou será que tudo não passa de um conflito
Entre o passado e o presente?
E o futuro é uma criança
Olhando o seu relógio.

O Cipreste e o Solo

Há pessoas tão maravilhosas nesse mundo.

Elas vêm vestidas
de largas e coloridas
mantas de alteração.

São solos que abrigam
profundas raízes
de uma floresta de amizades.

Estão em constante pedogênese.

Não importam as adversidades.
Não importa o clima árido.
Sempre cabe mais uma ...

Árvore.

Sem título

Essa pseudo paz...
Essa pseudo tranquilidade...
Me encanta esse recanto.
Tudo parece tão calmo
O balanço harmonioso dessas copas
O vento soprando suavemente
Carros a trafegar, esporadicamente
Pela avenida e vias secundárias à minha frente
Ruídos de gente
Vozes de folhas
Fogos de artifício?!
Só agora percebo
Que a paz reside em mim
No meu corpo cansado
Sem forças
Insustentável
E essa calmaria enigmática
Que me cobre como uma manta acústica
Me acolhe
E me protege
Dos ruídos do mundo