Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

sexta-feira, 19 de março de 2021

 Afloro.

Aflora.

Afloro afora, diante da incessante insensatez do insensível.


Fora o indecente incenso do ódio,

o descenso taciturno

dos justos,

dos ímpios,

dos tantos.

Fora o degradante não senso,

o ópio,

que sustenta remanescentes,

aos risos, aos prantos.


Fora a insensatez, o descenso, o insensível, o indecente.

Fora o ódio, o ópio, os tantos dormentes,

a decadência do decênio,

a ameaça que paira,

a incerteza de muitos sob o jugo de um demente...


Fora tudo isso,

o que aflora afora?

sábado, 20 de abril de 2019

Sem título

No ambiente,
de repente,
alastra-se amarelo.
Ferrão agudo,
palavras nuas
e a promessa do retorno
sob a ponta de uma agulha.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Sem título

Apesar de toda adversidade,
no final,
sempre resta uma escolha.
Aquela inevitável escolha
que nos aguarda no ermo do nosso universo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sem título

Quando de profana a sacra me escapou
e aos dias e noites dobrou-se em liturgia?
Logo quando, ironicamente, o temor se foi.
Retorna a ícone, sem idolatria.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sem título

O tempo transforma toda a forma. Dos prédios que crescem como flores apressadas às borboletas suicidas na estrada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sem título

Enquanto chove,
enquanto é dia, enquanto é noite,
enquanto a vida passa,
eu faço o que sei fazer de melhor:
Nada.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sem título

Descendo a ladeira,
à margem, à beira,
foi que sofri
o que posso chamar de
o atentado mais terrível
contra mim.
E foi descendo esta ladeira
que encontrei a salvação,
a maravilhosa prova
de que sou um miserável de sorte.