Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sem título

Olha bem pra essa janela!
Olha bem por essa janela!
Olha ao redor deste lugar!
Olha tudo pela última vez,
pois nunca mais pisará os pés aqui novamente!
E assim o homem sem lar, de coração partido,
e ainda apaixonado,
voltou lá no dia seguinte.
E no seguinte.


Até que não voltou mais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Sem título

Encontrar o canal da fumaça
é fluir para um leve estado de espírito,
pacífico,
tal qual faz a água,
mãe sábia,
que drena pela terra.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sem título

Não tenho o dom de ser contemporâneo.
Quem sabe, poderia ser passado.
Mas, o passado passou.
Poderia ser futuro.
Mas, o futuro é uma ilusão
e sempre se revela contemporâneo.
E quando o tempo voltar como um elástico
prefiro nem estar por aqui.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sem título

As suas mulheres ele amou.
Os seus amores ele sofreu.
E a vida é de amar e sofrer
cumulativamente.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sem título

Nós esperamos pelo seu fim e
o mundo não acabou.
Nós bem que esperamos que não acabasse
e, no final, não acabou.
Mas, queríamos que acabasse
para que acabássemos juntos.
Mas, juntos acabamos
o acabamento do nosso fim.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sem título

Pra quê querer ser eterno,
viver, morrer, estudar, trabalhar,
bem ou mal, céu ou inferno?
Cativos do homem,
cativos do espírito,
somos todos escravos na existência,
espectro do agora.
Pra quê querer continuar em algum lugar,
migrar de canto pra canto,
provar do mel, provar do fel?
Dentre as coisas do todo,
a liberdade está no nada
ou no livre arbítrio?
Existo,
logo não há fuga?
Não há como fugir
da ditadura do existir.

sábado, 14 de junho de 2014

Sem título

As estribeiras foi o que eu perdi.
E, a cada dia, meus olhos precisam construir
um novo céu pra contemplação.
As estribeiras perdi, mas,
ganho um novo amor a cada dia
e após cada tempestade.