Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sem título

Não saiu cabelo da minha cabeça da minha cabeça,
contudo, saiu cabelo da sua cabeça da minha cabeça.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sem título

Pra quê querer ser eterno,
viver, morrer, estudar, trabalhar,
bem ou mal, céu ou inferno?
Cativos do homem,
cativos do espírito,
somos todos escravos na existência,
espectro do agora.
Pra quê querer continuar em algum lugar,
migrar de canto pra canto,
provar do mel, provar do fel?
Dentre as coisas do todo,
a liberdade está no nada
ou no livre arbítrio?
Existo,
logo não há fuga?
Não há como fugir
da ditadura do existir.

sábado, 14 de junho de 2014

Sem título

As estribeiras foi o que eu perdi.
E, a cada dia, meus olhos precisam construir
um novo céu pra contemplação.
As estribeiras perdi, mas,
ganho um novo amor a cada dia
e após cada tempestade.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Sem título

Onde você sentiu, linda?
Onde você sentiu linda?
Por dentro ou por fora?
Por dentro?
Perfurante?
Entrou pelos olhos?
As palavras podem ser perfurantes
ou superficiais.
Superficiais, incapazes
de entrar pelos olhos
e fundir duas almas.