Sedimento fino

Sou argila,
sedimento fino em suspensão.
Toda intempérie me carrega.
Parte de mim é erosão.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem título

Aqui estou, à beira-amar
Um peixe à beira-mar
À margem das águas regressas
Salgadas de angústias imersas
Nesse canal anímico de turbidez

Aqui estou, à beira-amar
Um peixe à beira-mar
A sonhar águas transgressas

Tsssssssssssssssssssss...

Certo do ciclo da maré.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sem título

Sente
Sente e deixa entrar
Que entre!
Deixa fluir pelos sensíveis capilares emocionais
Rumina!
Rumina mais uma vez
Sintetiza o excepcional
Saboreia a vida.

domingo, 16 de maio de 2010

Foram palavras de um marroquino para Damário

O homem, caçador, poeta,
é um bom ilusionista.
O homem, ilusionista, poeta,
é um bom caçador.
O homem, poeta, ilusionista, caçador,
é um grande conquistador.

domingo, 2 de maio de 2010

Viagem de campo

Os cinco. Nós e Luís. Naquela litologia, naquela unidade, naquela geomorfologia, naquele lugar... Avançando pela estrada de chão batido, cortando a área tão estudada. Tanto olhamos para esse lugar, do alto, sem cor.
De repente, tudo ganha vida e um retrato se torna calor, poeira e sede; sol, martelo e caderneta; vermelho, amarelo e branco; Barreiras, leque e duna.
O rio e o mar. O geólogo e o lugar. Encontros épicos. Fusão. Tudo pára em respeito. A Terra faz reverência, se doa, cede um pedaço de si para matar a fome do Homem, como o gado o alimenta com a sua carne.

domingo, 18 de abril de 2010

Sem título

O céu, por ser céu,
já é cinema mudo
Eu assisto à noite
é quando estou só no mundo.
Vejo a marcha das nuvens
As luzes ancestrais das estrelas
no seu ritmo pulsante
E seria monótono
se não fosse fascinante

A tela
De um filme que se repete
toda noite cheio de novidades

O transe
De um espectador
toda noite atraído pelos mesmos protagonistas.

A brisa
Que passa sussurrando
Convidando a voar

E é só o que me interessa
O céu
Acima da minha cabeça.

Dançarei sua dança

Esse meu corpo cançado
Já não obedece mais
Os sinais da mente
Apenas dança
A dança de outros corpos
E quando alcança
O pulso lento da fadiga
Descança
Para voltar a dançar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Abril

Nesse momento gotejam estrelas do céu
O concreto amolece
A noite escurece
A tristeza se envaidece
Nada acontece
Todos estão ao léu.

Abril
E estou vazio
O alimento apodrece
Meu cabelo não cresce
O homem padece
Nada acontece
E tudo passa
E o tempo não pára.