sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Sem título
É necessário que enxerguemos um patamar acima para que despertemos o desejo de alcançá-lo. Quando achamos que não temos nada a conquistar, perdemos a sede, a fome e o dom da inspiração. Passamos a viver estacionários, em atentado contra Darwin. Até mesmo os vegetais, enraizados no solo, buscam a luz solar com todas as suas forças e folhas. Vivamos como os peixes saltadores do lodo, que evoluem quando percebem a oportunidade do arco magmático, emergente no oceano. Lembremos, então, de olhar para cima e notar o patamar que emergiu.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Sem título
As pessoas têm uma tendência
natural e orgânica
de, com tamanha obediência,
guardar com mais vividez
as notícias do jornal de hoje.
Tão mais humanas essas seriam
se guardassem todos os jornais,
pilhas de lembranças,
por grau de importância,
não importando
a ordem cronológica dos fatos.
Mas a memória humana é assim:
Esquece os meus melhores atos.
Guarda o agora, descarta o ontem.
Lembra do outrem,
esquece de mim.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Sem título
Num intervalo,
num ponto de confusão,
a estrutura e os póros se abrem
e há lugar para a ligação.
No ponto da fusão,
o dengo se confunde com o assanho,
e o atrito da mistura,
a altas pressão e temperatura,
do sódio ao cálcio,
não se sabe até quando a solução é sólida
e quando entra a carne do potássio.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Nem sempre, meu amigo
Nunca se esqueça que, bem possivelmente, a vida real, muitas vezes, é deveras cruel. E que nunca na vida os caminhos - a sorte - serão como nos filmes, seriados e novelas. Nem sempre saímos correndo, munidos de pouca sensatez e muita paixão, desgovernados, lidando com o trânsito louco da cidade, pagando (nem sempre a gente tem dinheiro pra isso) ao taxista e/ou ao motoboy mais loucos da cidade -"fica com o troco!" -, cruzamos caminhos impossíveis e alucinantes - improváveis! -, chegamos no aeroporto antes do avião da amada decolar, fazemos um discurso e uma declaração magníficos, numa maravilhosa demonstração de oratória, e conseguimos reconquistá-la. Mas, lhe digo, meu amigo, que, às vezes, conseguimos sim, realizar todas essas façanhas. Mas, daí a ela querer voltar... E, como a esperança é a última que morre, ela pode até voltar. Só não lhe prometo os aplausos de todas aquelas pessoas que estão te assistindo no aeroporto, as mesmas que - gentis que são e que não perderiam, jamais, uma linda história de amor e reconquista - lhe deram passagem em sua manobra impossível e alucinada e que contribuíram, de todas as formas, com o seu esforço.
Ou seja, nem sempre o trânsito é bom; nem sempre o taxista pode fazer milagres; nem sempre lhe darão passagem na multidão do aeroporto; nem sempre ela vai voltar; e, se voltar, nem sempre irão aplaudir.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Sem título
Na forma de uma primeira manifestação - neste ano -, reconheço que posso estar em um momento diferente. Antes, acreditava fazer parte de uma "escola", porém, percebi que o que existe são momentos. Momentos na vida, numa trilha que se segue, na qual estamos inseridos. Meu "momento atual" não é o mesmo de ontem. Sendo assim, aguardo o nascimento de novos poemas, sob novas perspectivas, sobre novos sentimentos. Aguardo novas orientações. Uma nova "escola", talvez. Uma nova poesia, não igual a de ontem, nem igual a de amanhã, mas uma poesia do momento.
-Achei importante me manifestar pela primeira vez neste ano.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Sem título
Já fui retirado de casa uma vez,
arrancado, violentamente,
como um animal.
Enjaulado, arrastado pelas terras estranhamente
verdes, férteis, quentes,
porém, secas, inóspitas e pedregosas do desperdício.
E atearam fogo na minha querida cidade,
Onde tudo queimou.
E nem assim olhei pra trás.
Jamais olhei pra trás,
até ser expulso da jaula
com a mesma violência a qual fui capturado.
E, quando me deparei com a realidade da
natureza do lugar o qual estive todo o tempo,
vi apenas ausência de cor, secura e pedras roladas.
Hoje, após ter regressado à minha pequena cidade,
e resgatado das cinzas as lembranças,
percebo o intervalo
entre ser posto numa jaula, violentamente,
e entrar numa jaula como voluntário.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Sem título
Vão no tempo.
Vão-se as palavras
pelo vão da estabilidade.
E o equilíbrio reside no momento
de um buraco de minhoca,
viajando em seu interior,
no conforto de uma rede.
Talvez, o hiato de palavras seja explicado nas palavras acima. No presente momento, sou menos palavras.
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